Nos primeiros anos, tudo é novidade para a criança. Após o nascimento, o bebé relaciona-se com o mundo, sobretudo, através da boca, sendo natural que explore objetos dessa forma ou que morda, especialmente entre o primeiro e o terceiro ano de vida.
À medida que crescem, as crianças vão aprendendo a comunicar melhor aquilo que sentem e pensam. No entanto, quando são mais pequenas, ainda têm dificuldades em lidar com a frustração, em acalmarem-se sozinhas, ou em controlar os seus impulsos. Por isso, comportamentos como morder, tal como bater, podem surgir como formas de comunicação.
As mordidas podem acontecer em diferentes situações, como por exemplo, em disputas por brinquedos, por espaços ou por atenção. Podem acontecer também como reação a algo inesperado feito por outra criança ou ainda quando a criança está cansada, incomodada ou aborrecida. Por outro lado, as mordidas também podem existir como demonstrações de afeto. Com o desenvolvimento da linguagem da criança e da capacidade de se controlar, estes comportamentos tendem a diminuir e a desaparecer.
No contexto escolar, onde existem muitos estímulos e desafios emocionais, este tipo de comportamento pode surgir com maior frequência. Quando acontecem as primeiras mordidas, estas ocorrem sem intenção de magoar.
Deste modo, recomenda-se que a situação seja gerida de forma calma, firme e consistente. É importante confortarmos a criança que foi mordida, mas também ajudar a criança que mordeu a compreender que o seu comportamento magoou o outro. Esta explicação deverá ser simples, com um tom firme, caloroso e sem julgamento. Uma reação muito intensa por parte dos adultos pode, sem querer, levar a criança a perceber que este comportamento lhe traz atenção, acabando por reforçá-lo ou, por outro lado, fazer com que a criança sinta uma culpa excessiva por um comportamento que é normal dada a sua faixa etária.
Sempre que possível, deve incentivar a criança a reparar o seu comportamento (por exemplo, colocando gelo na criança que foi mordida) e ajudar a criança que mordeu a encontrar outras formas de dizer o que sente ou precisa.
Com o crescimento e com o apoio consistente dos adultos, é esperado que estes comportamentos sejam substituídos por formas de expressão mais maduras e adequadas.