
Muitos são os pais com esta preocupação… Segundo o desenvolvimento normal, as primeiras palavras da criança surgem por volta dos 12 meses, havendo sempre um aumento progressivo das palavras e da forma como se combinam.
Mas então, porque será que o seu filho ainda não fala? Será que o seu filho comunica, mesmo sem falar?
Existem imensas competências prévias e necessárias ao desenvolvimento da fala e da linguagem que se iniciam desde o momento que a criança nasce. Destacamos as seguintes:
- Contacto ocular – Quando pretende alguma coisa, a criança procura-nos com o olhar;
- Imitar os outros – Bate palminhas, diz adeus, tenta imitar os sons, os movimentos da boca;
- Vontade para comunicar – Quando quer mostrar alguma coisa, tenta expressar-se de várias formas (apontar), mesmo que não fale;
- Gostar de estar com o outro – A criança aproxima-se de outras pessoas e procura a relação (corre/movimenta-se em direção a uma pessoa familiar);
- Envolver-se em atividades ou brincadeiras com o outro – A criança interage com o outro, sorri durante a brincadeira, olha para o outro e para o objeto, alterna este olhar entre adulto e objeto, olha para aquilo que o outro está a olhar;
- Compreender o que lhe é dito – A criança identifica pessoas, responde ao nome e executa pequenas ordens (“dá-me a bola”).
Todos estes comportamentos são formas de comunicação pré-verbal. Logo, o facto de a criança não falar, não significa que não esteja a comunicar. No primeiro ano de vida da criança, mais do que a fala ou a forma como fala, devemos estar atentos aos sinais comunicativos! Se a sua criança apresenta dificuldades em alguns destes comportamentos, peça ajuda especializada.
Por outro lado, a criança pode apresentar todos estes comportamentos comunicativos adquiridos e, ainda assim, não mostrar interesse por falar. Caso a situação persista para além dos 18 meses, também a ajuda especializada pode ser útil. Existem outros fatores de risco que podem estar a contribuir para a ausência de fala, como o estilo comunicativo dos parceiros da criança, o estímulo a que a criança está sujeita, alterações das estruturas e funções orofaciais (respirar, mastigar, engolir), alterações no planeamento motor para a fala, alterações auditivas, entre outros.
E é por tudo isto e muito mais que deve estar atento ao desenvolvimento da comunicação, linguagem e fala do seu filho desde o nascimento e, sempre que necessário, pedir ajuda especializada.
Afinal, a melhor forma de atuar depende sempre da correta avaliação da causa da dificuldade. Nunca é cedo demais para a Terapia da Fala!